18 de outubro de 2013

O jogo de (não) dizer


As imagens: a Polícia Militar em ação durante as várias manifestações populares acontecidas na cidade do Rio de Janeiro nos últimos meses.
A música: Acorda Amor (Julinho de Adelaide / Leonel Paiva). A letra, de 1974, é de Chico Buarque de Holanda que depois ver censuradas "Cálice" e "Apesar de Você" resolveu utilizar o pseudônimo Julinho de Adelaide.

“Acorda Amor”, de 1974, foi composta sob o governo Médici e a sua Doutrina de Segurança Nacional. E foi em nome desta ‘doutrina’ que levava o brasileiro a viver num clima de tanta insegurança e medo e é esta situação que permeia toda a canção. Preferir ao ladrão a Polícia, mostra claramente esta insegurança. Podemos interpretar os versos “Era e dura / Numa muito escura viatura”, como referência à ditadura e aos seus veículos de repressão: “Não é mais pesadelo nada / Tem gente já no vão da escada [...] São os homens”, como exemplo das prisões na madrugada: “Mas depois de um ano eu não vindo / Ponha a roupa de domingo/ E pode me esquecer”, como os sumiços inexplicados; “Se você corre o bicho pega / Se fica, não sei não”; referência aos impasses, às dúvidas: “Dia desses chega a sua hora”, a insegurança; e a solução para o crime político é recorrer ao crime comum: “Chame o ladrão”.
BRAUNER, Eugenio. Julinho da Adelaide, um pseudônimo que driblou a Censura - em processo. Nau - Revista eletrônica de crítica e teoria de literaturas Dossiê: a literatura em tempos de repressão PPG-LET-UFRGS – Porto Alegre – Vol. 01 N. 01, jul/dez, 2005.

Como analisar a utilização da música fora de seu contexto original como faz o vídeo?

Saber mais: 
Sentidos do Político na voz de Julinho de Adelaide
Música “Acorda Amor” – Chico Buarque – Comentada

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