Uma lição de discriminação
O vídeo, e a experiência, são interessantes embora não consiga me definir a respeito do sofrimento a que foram submetidas as crianças e a ausência de evidências sobre o efeito da mesma no combate à discriminação. Aguardo opiniões e comentários.

Até agora estou perplexa... sofri com as crianças bem Rose você me conhece, e concordo que esse tipo de "explicação didática" é inaceitável. O nosso inconsciente não distingue emoções fantasiadas das verdadeiras, é como se estivéssemos assistindo a um filme de terror em que o objetivo é provocar "medo, ansiedade, indignação, suspense", mesmo sabendo que é um filme, sentimos isso!!! Então, as crianças vivenciaram na pele a discriminação e depois queriam "reproduzi-la" se "vingar", porque causava um certo "prazer", concordo com Rousseau "O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe". E essas crianças foram corrompidas de certa forma, enganadas e manipuladas. Falta de ética! Principalmente se considerarmos o Princípio 9º do Estatuto da Criança e Adolescente; "PRINCÍPIO 9º:
ResponderExcluir"Nenhuma criança deverá sofrer por pouco caso dos responsáveis ou do governo, nem por crueldade e exploração. Nenhuma criança deverá trabalhar antes da idade mínima, nem será levada a fazer atividades que prejudiquem sua saúde, educação e desenvolvimento." .
A Professora poderia ter usado situações vivenciadas na sociedade como o próprio Holocausto, Apartheid, Guerras, ou desenhos ficcionais que trariam reflexão e não doeria tanto. Por mais que em muitas considerações dessas crianças encontre maturidade, posicionamento político e indignação, empatia... algumas colocações vindas deles me espantaram.
Também eu me senti mal com o sofrimento imposto às crianças mas não seria este o motivo de não aprovar, a princípio, a experiência. O principal motivo é o apontado na introdução que você fez ao vídeo: não há evidências de que a experiência vivenciada pelas crianças terá efeito real no combate à discriminação.
ResponderExcluirMas creio também não se tratar de aplicar no caso o ECA.Primeiro não há pouco caso dos responsáveis ou do governo. Ao contrário: como o vídeo informa, houve autorização dos pais e existe uma preocupação real em educá-las. Se a experiência pode ser questionada em seus efeitos contra a discriminação também posso duvidar que terá algum efeito prejudicial às crianças.
Também não há porque recorrer a Rousseau: embora o peso do ambiente na formação humana seja considerável, ele não é determinante. Afinal, todos vivemos sob as mesmas condições e uma minoria (felizmente) desenvolve comportamentos 'corrompidos'.
Finalmente, também não creio que a prática da 'reflexão', muito em moda em nossas escolas, leve à conscientização. São importantes sem dúvida e devem ser estimuladas. Mas estão longe de ter, por si só, resultados. Principalmente se, como disse a Josiane, for 'indolor': não há reflexão possível sobre a discriminação se eu não for capaz de sentir a dor do discriminado.