29 de setembro de 2013

A democracia na praça

VOZ DE MULHER EM ASSEMBLEIA – Todos e todas aqui somos superimportantes. Por favor, isso não vai voltar a acontecer em muito tempo. É agora que temos o poder, e o mundo inteiro está olhando para nós.
POVO DE MADRI – A revolução começou. A revolução começou. A revolução começou.
(Assembleia da Porta do Sol (Madri), 17 de maio de 2011.)

A democracia na praça
Após dois anos de protestos, o poder espanhol continua no mesmo lugar, longe das ruas
por GERMÁN LABRADOR MÉNDEZ

"Hoje a questão é insolúvel: parte das pessoas tem certeza de viver “na crise”, uma temporalidade de exceção que ainda se estenderá por mais cinco, dez ou quarenta anos (sempre um tempo bíblico), conforme o político que faz a previsão. Muitas pessoas, especialmente as que viveram sob a ditadura, acreditam que estamos voltando ao franquismo a passos largos. Outras estão convencidas de que a revolução global se aproxima. Entre estas, há as que veem o mundo balançando e caindo aos pedaços, e há as que defendem que um mundo novo já nasceu das cinzas do anterior. São as mais otimistas."

25 de setembro de 2013

23 de setembro de 2013

20 de setembro de 2013

Passado, presente, futuro por Paul Klee e Walter Benjamin


Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus.
Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente.
Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas.
O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado.
Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés.
Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las.
Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos de progresso.

Walter Benjamin - Obras Escolhidas, Brasiliense, 1994. Tradução de Sergio Paulo Rouanet

10 de setembro de 2013

11 de setembro


11 de setembro de 1973. Na foto, o presidente eleito do Chile, Salvador Allende, armado na defesa do Palácio de La Moneda do ataque dos golpistas. Pouco depois seria assassinado e o Chile viveria uma das mais sangrentas ditaduras da história. Suas últimas palavras:
"Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor. ¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!"
Clique na foto para acessar o artigo da Wikipédia sobre o golpe militar chileno.

Num outro 11 de setembro, o de 2001, o World Trade Center, em Nova Iorque, EUA, é derrubado como resultado de um ataque terrorista. No vídeo que aqui reproduzimos, o diretor inglês Ken Loach traça um (brilhante) paralelo entre ambos.
O vídeo é parte do projeto 11'09´01, de 2002, onde 11 diretores de diversas partes do mundo foram convidados para fazer um filme com 11 minutos e 9 segundos de duração sobre o ataque às torres gêmeas.

Feudalismo

Todos veem que não tenho nada com que possa me nutrir ou vestir. Por isso, meu senhor, pedi a vossa piedade, e a vossa boa vontade ma concedeu, de submeter-me à vossa tutela. Faço isso com a condição de receber aquilo com que possa me nutrir e viver, em troca do meu serviço e da minha devoção. Enquanto viver, mesmo permanecendo livre, dar-vos-ei serviço e fidelidade. Não terei possibilidade de libertar-me do vosso serviço e da fidelidade a vós devida. Mas, em troca, por toda a minha vida ficarei sob o vosso poder e a vossa proteção.”

"Na sociedade feudal, o vínculo humano característico foi o elo entre subordinado e o chefe mais próximo. De escalão em escalão, os nós assim formados uniam, tal como se se tratasse de cadeias infinitamente ramificadas, os mais pequenos aos maiores. A própria terra só parecia ser uma riqueza tão preciosa por permitir obter 'homens' remunerando-os." (Marc Bloch, A sociedade feudal.)


ARQUIVO FEUDALISMO
Um coletânea de textos abordando aspectos diversos do período. E algumas curiosidades também como a história de um 'serial killer' do século XV.
Feudalismo - Nossa aula em PowerPoint
(Pasta compactada. Faça download e copie a pasta para seu computador.)
Como era o sexo na Idade Média? Um artigo da revista Mundo Curioso.
Atividade: Questões de análise de textos, documentos e imagens.
O feudalismo em Game of Thrones. O mundo criado pelo escritor George R. R. Martin tem várias semelhanças com o período medieval.
Resumão. Com esquemas e ilustrações.
Veja em nossa seção Jogos três opções de jogos online que tem o período medieval como tema.
Dicas de filmes: O Vale das Abelhas [Údolí vcel], Frantisek Vlácil, Tchecoslováquia, 1968, 97 min. Uma obra poética ambientada na Idade Média; Conquista Sangrenta [Flesh+Blood], Paul Verhoeven, 1985, EUA, 127 min. Violenta aventura passada em tempos medievais e O Incrível Exército de Brancaleone [L`Armata Brancaleone], Mário Monicelli, 1965, ITA, 120 min. Deliciosa sátira ao mundo medieval.
Vida Medieval. Mike Loades, historiador e especialista em armas, vai nos levar através do mundo medieval, em uma viagem cheia de ação e emoção. Separaremos os mitos da realidade e teremos a experiência de viver, trabalhar e lutar durante esta época extraordinária.

5 de setembro de 2013

Idade Média: Bárbaros, Bizantinos, Francos, Islã

A Alta Idade Média estendeu-se do século V ao X. Foi a época de consolidação, na Europa Ocidental, do  feudalismo, sistema socioeconômico predominante na era medieval. No Oriente, porém, em vez da descentralização política feudal, o período foi marcado por dois fortes impérios: o Bizantino e o Árabe.

"Eis a igreja de São Cuthbert manchada com o sangue dos padres de Deus". (Alcuíno de York, 793)

"Chefe sob cuja sombra os cristãos repousam em paz e que impõe terror nas nações pagãs." (Alcuíno, descrevendo Carlos Magno)

Baixa Idade Média - Nossa aula em apresentação do PowerPoint.
Pasta compactada. Faça download e copie a pasta para seu computador.
Constantinopla: a queda da última estrela do Império Bizantino
A tomada pelos otomanos da capital, Constantinopla, mais tarde batizada de Istambul, marcou o fim da Idade Média e abriu o caminho para uma era de descobrimentos
Carlos Magno: entre a cruz e a espada
Carlos Magno, o rei dos francos, foi um guerreiro implacável. No fim do século 8, ele submeteu os vizinhos saxões, lombardos e bretões, impondo-se pelo poder de seus exércitos e pela força de sua fé: o catolicismo
Bárbaros: o mundo em transição
A partir do século 4 tudo mudou. Um império gigantesco sumiu, devorado por dezenas de povos bárbaros. Alguns deles sobreviveram até hoje. Outros se perderam para sempre
Maomé, o Pai do Islã
Ele viveu a maior parte da vida como um mercador analfabeto que, como tantos outros, conduzia caravanas pelos desertos da Arábia, no século 6. Aos 40 anos de idade, porém, tornou-se o profeta de uma religião revolucionária que em menos de 200 anos dominaria metade do mundo
Império Árabe: a marcha por Alá
Em menos de 200 anos após a morte de Maomé, pela forçada fé e da espada os árabes conquistaram do sul da Europa até a Índia num movimento expansionista inédito na história
Alcorão - A palavra de Deus
No Alcorão, o livro sagrado do Islã, a mensagem de paz e tolerância está ao lado da incitação à violência e à perseguição. Qual delas prevalecerá?
A Expansão Árabe
No século VII, nos desertos da Arábia, viviam populações de raça semita, que se diziam descendentes de Ismael, filho de Abraão. Esses homens estavam divididos em tribos hostis, até o aparecimento de Maomé, profeta que, através da pregação de uma religião comum e de uma enérgica ação política, lhes deu unidade nacional. Nascia assim o povo árabe: povo guerreiro e conquistador que em nome do islamismo – a mais moderna das religiões reveladas – conseguiu incorporar uma imensa região que se estendia da Espanha até a Índia.
O choque de ignorâncias
A relação "ocidente" e o "Islã" vista por Edward W. Said
Ouça: Elegies To Prophet Mohammed (Ibrahim Canakkaleli, Fevzi Mis)
Filmes Ruins, Árabes Malvados: Como Hollywood Vilificou um Povo
Documentário que expõe de maneira detalhada como o cinema de Hollywood, desde o início da sua história até os mais recentes blockbusters, mostrou os árabes de forma distorcida e preconceituosa. O filme faz uma análise, baseado em uma longa lista de imagens de filmes, de como os árabes são apresentados como beduínos bandidos, mulheres submissas, homens violentos, sheiks sinistros ou idiotas perdulários, ou ainda como terroristas armados e prestes a explodir pessoas e lugares.


Os Bárbaros: Francos
Documentário produzido pelo History Channel


Resumos: Árabes - Império Carolíngio - Império Bizantino

O dia que não acabou

Em 27 de novembro de 1986 no governo José Sarney (21 de abril de 1985 – 15 de março de 1990), houve o chamado "badernaço de Brasília". Há um interessante documentário com material histórico pouco conhecido. A tese dos "infiltrados" é completamente insuficiente pra explicar a fúria popular. Após mais de duas décadas de ditadura, uma sucessão indireta colocou o ex-chefe do partido da ditadura, a Arena, no governo da transição, frustra as esperanças de mudança real. Após ganhar a eleição parlamentares e para os governos estaduais com o Plano Cruzado, lança uma semana depois das eleições o Plano Cruzado 2, que dispara os preços e lança a revolta popular nas ruas da capital.
Neste próximo 7 de setembro, se nos lembrarmos que Sarney continua no poder, poderemos entender a medida da frustração atual com as promessas de transformação irrealizadas.

1 de setembro de 2013

A Independência do Brasil

"Se o Brasil for se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”. O conselho dado pelo rei a seu filho, lembrado pelo próprio D. Pedro em carta ao pai, escrita menos de três meses antes da independência, mostra como se misturam no processo da independência dois fenômenos distintos: o arranjo dinástico, do qual o próprio conselho é exemplo eloquente, e o impulso separatista, evidente na referência feita aos aventureiros. A oscilação entre ruptura e compromisso marcaria não só a Independência como as disputas políticas entre os “partidos” dos portugueses e dos brasileiros durante o Primeiro Reinado.

A Independência do Brasil - Hilton Meliande de Oliveira, Mestre em História Política pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)
Cidadania e participação política na época da Independência do Brasil - Lúcia Maria Bastos P. Neves, Departamento de História da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)
Da Revolução do Porto à emancipação política do Brasil - Apresentação interativa em PowerPoint [Necessário fazer download]
Dom Pedro, herdeiro moleque - Filho mais velho de dom João, foi criado com desleixo e quase virou o típico malandro carioca. Mas revelou habilidade política e ambição que acabariam mudando os rumos do Brasil
As muitas Independências - A família real fugiu às pressas das tropas de Napoleão? Sete de setembro sempre foi o Dia da Independência? Nossa separação de Portugal foi imediata e pacífica? O que há de verdade no senso comum sobre a Independência?
Independência ou Morte (1888), de Pedro Américo: A Pintura Histórica e a Elaboração de uma Certidão Visual para a Nação - Consuelo Alcioni B. D. Schlichta, Professora do Departamento de Artes, Setor de Ciências Humanas Letras e Artes, da UFPR
Jogo: A Independência do Brasil
IG Infográficos
Quiz: A Independência do Brasil
UOL Educação (6 questões)
Atividades: Questões de vestibular
44 questões com gabarito

A Corte no Brasil

Os domínios na Europa já não constituíam a capital e o centro do império Português.

A Corte Portuguesa no Brasil - Apresentação interativa em PowerPoint. [Necessário fazer download]
1808, A Corte no Brasil - Série de 12 programas produzidos pela Globo News sobre a vinda da corte portuguesa ao Brasil e suas consequências.

Referência da imagem
Audiência régia, gravura anônima. OR 1493. A.P.D.G.. Sketches of portuguese life, manners, costume, and character. London: Printed for Geo. B. Whittaker, 1826, p. 175.

A cidade como mercadoria

A vida nas cidades se transformou numa mercadoria. O espaço público se fragmentou, se privatizou, a segregação se impôs. Bairro rico de um lado, com todos os tipos de serviços públicos disponíveis. Bairros pobres e favelas de outro, ocupações com habitações precárias autoconstruídas, sem esgoto e muitas vezes sem água.

Leia o artigo de Silvio Caccia Bava, diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil.

Sob a névoa da guerra

Sob a névoa da guerra (The fog of war: Eleven lessons from the life of Robert S. McNamara, EUA, 2003) do diretor Errol Morris é centrado na figura de Robert S. McNamara (1916-2009) que foi estrategista militar na Segunda Grande Guerra, trabalhou para os governos John F. Kennedy (1961-1963) e Lyndon Johnson (1963-1969), no auge da Guerra Fria, além de ter se sentado na cadeira da presidência do Banco Mundial, cuidando da guerra econômica. Assistiu, portanto, aos fatos mais cruciais, como a crise dos mísseis em Cuba.
E é mais do que um documentário: é um importante e inquietante relato que nos leva à reflexão sobre a fragilidade das estruturas do poder e as incongruências da guerra. Sobre todas as guerras.
As onze lições do ex-Secretário de Defesa dos EUA (1961-1968): Tenha empatia pelo inimigo; Proporcionalidade deveria ser uma regra na guerra; Existe algo além de nós mesmos; Acreditar e ver estão, ambos, frequentemente errados; Esteja preparado para reexaminar as suas razões; Consiga dados; A racionalidade não nos salvará; Não se pode mudar a natureza humana; Maximize a eficiência; Para fazer o Bem, talvez você precise se aproximar do Mal e Nunca diga nunca.
Como se vê, um recado à gestão Obama que se prepara para atacar a Síria. Assim como Bush (pai e filho) e outros presidentes estadunidenses, Obama desrespeita pelo menos os seis primeiros mandamentos.