
A república que nascia em 15 de novembro de 1889 era alimentada por sonhadores que apostavam nela suas utopias. Mas o regime que se consolidaria seria moldado por setores mais pragmáticos, que agiam movidos por interesses bem objetivos, apenas emoldurados por um discurso idealista.
E trazia uma marca que, apesar dos avanços arrancados nos 124 anos de existência – com trancos e barrancos ditatoriais no meio do caminho – deixou marcas profundas na vida política do país: a ausência do povo. Afinal, de nada valem princípios igualitários formais se a cultura da desigualdade impede seu cumprimento.
"(...) Nada se mudaria. O regime sim, era possível, mas também se muda de roupa sem trocar de pele. (...) No sábado, ou quando muito na segunda-feira, tudo voltaria ao que era na véspera, menos a Constituição."
[Machado de Assis, Esaú e Jacó. In Obra Completa, p. 1031.]
O título do post: Artigo de Aristides Lobo, publicado no jornal Diário Popular, Rio, 18/11/1889. Ler o artigo completo.
Imagem: Uma das representações simbólicas da República no fim do século XIX, para celebrar o novo regime: A República, óleo sobre tela, Manoel Lopes Rodrigues, 1896





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