25 de novembro de 2014
23 de novembro de 2014
18 de novembro de 2014
"A cidade apresenta suas armas..."*
Kleber Mendonça e Irandhir Santos, dirigem um curta metragem explicando Recife, ou melhor, o Brasil, isto é, o mundo (do capital). O projeto Novo Recife é o antípoda de Ocupe Estelita. O shopping center é o contrário da praça pública. O novo é velho. O direito à cidade pede passagem. A vida não é mercadoria.
Saiba mais sobre o Movimento Ocupe Estelita
*Verso da música Selvagem, de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone
Saiba mais sobre o Movimento Ocupe Estelita
*Verso da música Selvagem, de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone
14 de novembro de 2014
A eternidade do poeta
Manoel de Barros, 1916 - 2014
"A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.Perdoai. Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas."
Veja aqui uma seleção com os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.
"A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.Perdoai. Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas."
Veja aqui uma seleção com os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.
11 de novembro de 2014
10 de novembro de 2014
9 de novembro de 2014
Tempo de protesto
“Você não precisa de um meteorologista/Para saber de que lado o vento sopra”
Bob Dylan "Subterranean Homesick Blues" (1965)
The Weather Underground, EUA, 2003
De Sam Green e Bill Siegel
Produção da TV pública da Califórnia.
Nota: as legendas em português são de baixa qualidade mas permitem um bom entendimento do documentário.
“Eu sentia um grande ódio, um profundo ódio e enxergava nesse ódio um sintoma de elevação moral”. Essas palavras proferidas por uma integrante do Weather Underground estabelecem os sentimentos que constituem a coluna vertebral desse documentário: o ódio e a intolerância. Formado por jovens brancos e abastados de uma elite conservadora, o grupo guerrilheiro nutria uma imensa raiva à sociedade americana em geral. Todos os elementos que a compunham eram culpados. Todos os brancos, protestantes, privilegiados, carregavam consigo o gérmen do crime. Fazer parte do time dos poderosos de uma sociedade truculenta e podre, que segrega os negros e assassina seus opositores em nome da democracia, e se calar, era realmente um ato de cumplicidade. A posição cômoda de ser um privilegiado enquanto uma tempestade de injustiças acontece diante de seus olhos promove uma culpa que em alguns se transforma em apatia e em outros se transforma em revolta. Esse era o caso dos jovens do Weather Underground. Eles eram terrivelmente culpados e acreditavam que poderiam sanar esse culpa articulando a mesma linguagem de seu inimigo: a violência. “Para mudar uma sociedade violenta é necessário também ser violento”, alegava uma militante.
Tendo como opositor a sociedade como um todo e não um grupo especifico, a organização adotou como estratégia de combate a execução de uma série de atentados a lugares públicos, sempre como resposta à ataques de direita. Então, sempre que se assassinava um líder negro ou estudantil, ou que surgia uma nova atrocidade originada da política do presidente Nixon, uma nova bomba explodia. Os Weather tinham se formado a partir do movimento pacifista iniciado no começo dos anos 60 e acreditavam que clamar passivamente pela paz não os levaria a lugar nenhum.
Imperava o lema “seja marginal, seja herói”. O discurso do filme, ao construir no início um painel do período através das imagens de arquivo, onde é enfatizado o clima de revolução que se apoderava do mundo, era de que aqueles jovens estavam inseridos em um ambiente que estimulava a liberação de desejos reprimidos como o ódio e a pulsão de mudar o mundo. Era preciso urgentemente fazer alguma coisa, não era certo ficar de braços cruzados diante do quadro sanguinário que era pintado diariamente. A maioria dos ex-integrantes em seus depoimentos revelaram que a necessidade de não estar de fora daquela revolução era realmente poderosa. Fica em evidência a idéia de que o surgimento do grupo é o resultado de um específico contexto histórico: eles fizeram o que achavam que deveria ser feito naquele momento.
Em nenhuma ocasião eles são mostrados como terroristas ou jovens desmiolados, mesmo quando é relatado o incidente dos “dias de raiva”. Sendo esboçado como um ato onde todo o ódio aos dirigentes de seu país seria expressado através de dias de arruaça e quebra-quebra pelas ruas de Chicago o acontecimento serviu para demarcar o princípio do processo de declínio do movimento.É claro que este tinha sido o resultado de um plano insano e que confirmava as críticas endereçadas ao grupo. Críticas repetidas até mesmo pelos lideres dos Panteras Negras. Pode-se dizer que o Weather Underground realmente fazia uma leitura apressada e infantil do marxismo, e era ostensivamente individualista, porém essa segunda característica está presente em qualquer grupo que defende a sua verdade com absoluta veemência. Qualquer ideologia possuidora de mudar ou purificar o mundo é nociva quando para realizar esse feito é preciso passar por cima de vidas humanas.
O que vemos é que esse ódio diagnosticado pelos guerrilheiros como sintoma de uma superioridade moral é constantemente alimentado pelo estado norte-americano. As imagens da guerra do Vietnam, que já fazem parte do imaginário de qualquer cidadão contemporâneo, são no documentário mostradas na integra. Determinados trechos que foram cortados pelas televisões do mundo são aqui ressaltados, como a terrível cena da menina queimada de napalm. O que fazer em uma sociedade que cultua o ódio?
Essa é a pergunta que atormenta a mente do ex-líder do Weather Underground. Ele revela sentir a mesma inquietação e angústia que o devorava há 30 anos atrás. A ira permanece e ele não sabe o que fazer. Parece que misturado às lembranças do passado surge um sentimento de impotência, sensação que caracteriza a enorme distopia que domina a nossa época. Hoje em dia a grande utopia é ter alguma utopia. Diante desse quadro, quase todos os ex-guerrilheiros afirmam que se voltassem no tempo fariam tudo novamente. Uma delas diz que talvez fizesse com mais astúcia, mas jamais abdicaria daquela experiência. Outra, afirma que o seu maior arrependimento foi ter se calado quando se planejavam operações que poriam em risco a vida de pessoas inocentes. Já o ex-líder revela também sentir uma profunda culpa e esse parece ser o seu sentimento preponderante. A culpa que ele sentia quando era apenas um líder estudantil diante das crueldades executadas pelo seu país o fez entrar para o Weather. A culpa do passado mescla-se com a culpa do presente. O que fazer? Essa é a interrogação que surge em nossas mentes ao sairmos do plano do líder velho para a imagem do líder quando jovem.
A revolta é eterna.
Estevão Garcia
Bob Dylan "Subterranean Homesick Blues" (1965)
The Weather Underground, EUA, 2003
De Sam Green e Bill Siegel
Produção da TV pública da Califórnia.
Nota: as legendas em português são de baixa qualidade mas permitem um bom entendimento do documentário.
“Eu sentia um grande ódio, um profundo ódio e enxergava nesse ódio um sintoma de elevação moral”. Essas palavras proferidas por uma integrante do Weather Underground estabelecem os sentimentos que constituem a coluna vertebral desse documentário: o ódio e a intolerância. Formado por jovens brancos e abastados de uma elite conservadora, o grupo guerrilheiro nutria uma imensa raiva à sociedade americana em geral. Todos os elementos que a compunham eram culpados. Todos os brancos, protestantes, privilegiados, carregavam consigo o gérmen do crime. Fazer parte do time dos poderosos de uma sociedade truculenta e podre, que segrega os negros e assassina seus opositores em nome da democracia, e se calar, era realmente um ato de cumplicidade. A posição cômoda de ser um privilegiado enquanto uma tempestade de injustiças acontece diante de seus olhos promove uma culpa que em alguns se transforma em apatia e em outros se transforma em revolta. Esse era o caso dos jovens do Weather Underground. Eles eram terrivelmente culpados e acreditavam que poderiam sanar esse culpa articulando a mesma linguagem de seu inimigo: a violência. “Para mudar uma sociedade violenta é necessário também ser violento”, alegava uma militante.
Tendo como opositor a sociedade como um todo e não um grupo especifico, a organização adotou como estratégia de combate a execução de uma série de atentados a lugares públicos, sempre como resposta à ataques de direita. Então, sempre que se assassinava um líder negro ou estudantil, ou que surgia uma nova atrocidade originada da política do presidente Nixon, uma nova bomba explodia. Os Weather tinham se formado a partir do movimento pacifista iniciado no começo dos anos 60 e acreditavam que clamar passivamente pela paz não os levaria a lugar nenhum.
Imperava o lema “seja marginal, seja herói”. O discurso do filme, ao construir no início um painel do período através das imagens de arquivo, onde é enfatizado o clima de revolução que se apoderava do mundo, era de que aqueles jovens estavam inseridos em um ambiente que estimulava a liberação de desejos reprimidos como o ódio e a pulsão de mudar o mundo. Era preciso urgentemente fazer alguma coisa, não era certo ficar de braços cruzados diante do quadro sanguinário que era pintado diariamente. A maioria dos ex-integrantes em seus depoimentos revelaram que a necessidade de não estar de fora daquela revolução era realmente poderosa. Fica em evidência a idéia de que o surgimento do grupo é o resultado de um específico contexto histórico: eles fizeram o que achavam que deveria ser feito naquele momento.
Em nenhuma ocasião eles são mostrados como terroristas ou jovens desmiolados, mesmo quando é relatado o incidente dos “dias de raiva”. Sendo esboçado como um ato onde todo o ódio aos dirigentes de seu país seria expressado através de dias de arruaça e quebra-quebra pelas ruas de Chicago o acontecimento serviu para demarcar o princípio do processo de declínio do movimento.É claro que este tinha sido o resultado de um plano insano e que confirmava as críticas endereçadas ao grupo. Críticas repetidas até mesmo pelos lideres dos Panteras Negras. Pode-se dizer que o Weather Underground realmente fazia uma leitura apressada e infantil do marxismo, e era ostensivamente individualista, porém essa segunda característica está presente em qualquer grupo que defende a sua verdade com absoluta veemência. Qualquer ideologia possuidora de mudar ou purificar o mundo é nociva quando para realizar esse feito é preciso passar por cima de vidas humanas.
O que vemos é que esse ódio diagnosticado pelos guerrilheiros como sintoma de uma superioridade moral é constantemente alimentado pelo estado norte-americano. As imagens da guerra do Vietnam, que já fazem parte do imaginário de qualquer cidadão contemporâneo, são no documentário mostradas na integra. Determinados trechos que foram cortados pelas televisões do mundo são aqui ressaltados, como a terrível cena da menina queimada de napalm. O que fazer em uma sociedade que cultua o ódio?
Essa é a pergunta que atormenta a mente do ex-líder do Weather Underground. Ele revela sentir a mesma inquietação e angústia que o devorava há 30 anos atrás. A ira permanece e ele não sabe o que fazer. Parece que misturado às lembranças do passado surge um sentimento de impotência, sensação que caracteriza a enorme distopia que domina a nossa época. Hoje em dia a grande utopia é ter alguma utopia. Diante desse quadro, quase todos os ex-guerrilheiros afirmam que se voltassem no tempo fariam tudo novamente. Uma delas diz que talvez fizesse com mais astúcia, mas jamais abdicaria daquela experiência. Outra, afirma que o seu maior arrependimento foi ter se calado quando se planejavam operações que poriam em risco a vida de pessoas inocentes. Já o ex-líder revela também sentir uma profunda culpa e esse parece ser o seu sentimento preponderante. A culpa que ele sentia quando era apenas um líder estudantil diante das crueldades executadas pelo seu país o fez entrar para o Weather. A culpa do passado mescla-se com a culpa do presente. O que fazer? Essa é a interrogação que surge em nossas mentes ao sairmos do plano do líder velho para a imagem do líder quando jovem.
A revolta é eterna.
Estevão Garcia
7 de novembro de 2014
Sim, somos racistas. E o racismo mata.
No Brasil, mais da metade dos homicídios (53%) atinge pessoas jovens, sendo que, deste grupo, mais de 75% são jovens negros. Grande parte dessa violência é promovida pelo Estado brasileiro através de suas polícias. Isso somado às precárias condições de vida e à negação de direitos básicos, tais como saúde, educação, segurança, moradia, transporte, acesso a universidades, à cultura e ao lazer – que atingem sobremaneira a população negra –, configura, na visão dos movimentos sociais e do movimento negro, um estado de genocídio contra a juventude e o povo negro.
Acesse o site Racismo Mata

