30 de junho de 2014

Rio em Chamas

RIO EM CHAMAS é um filme-manifestação que fala da crise social por que passa a cidade do Rio de Janeiro e dos protestos públicos que se tornaram constantes desde meados de 2013. Como uma manifestação, é composto pelos múltiplos pontos de vista de seus vários realizadores, unindo testemunhos, ficção, registros documentais e animações, sem pretender apresentar uma visão totalizante dos acontecimentos que vêm se acumulando desde então, mas sim tomar parte deste momento.

Elenco: Carol Pucu, Patricia Melo, Samuel Toledo, Richard Rebelo, Paulo Tiefenthaler, Luiz Bello, Luiz Henriques, Luiza Cascon, André Sampaio
Diretores: Daniel Caetano, Eduardo Souza Lima, Vinícius Reis, Cavi Borges, Diego Felipe Souza, Luiz Claudio Lima, Ana Costa Ribeiro, Ricardo Rodrigues, Vítor Gracciano, Luiz Giban, Clara Linhart e André Sampaio
Músicas: Marcelo Carneiro, Black Future, Rafael Bordalo

22 de junho de 2014

Adeus, Rose Marie Muraro

Trecho do documentário "Memórias de Uma Mulher Impossível", de Márcia Derraik. Traça uma espécie de mosaico sobre a vida e obra de Rose Marie Muraro (1930-2014). Mulher fora de todos os parâmetros, lúcida, implacável e sempre atualizada, leitora incansável, superando as limitações de sua visão (“nasci quase cega”) traçou em vida um belíssimo itinerário, incansável e provocador. Adeus, Rose Marie Muraro.

17 de junho de 2014

Stonewall, 45 Anos: Foi assim que tudo começou.

"Vocês acham que os homossexuais estão se revoltando? Podem apostar seus belos traseiros que sim."
[Trecho de um panfleto distribuído em 1969]



No dia 28 de junho de 1969, cansados da repressão protagonizada pela polícia do estado de Nova Iorque, gays, lésbicas, travestis e todos aqueles que frequentavam um bar chamado Stonewall Inn resolveram não mais se calar  diante de tanta violência e iniciaram uma grande rebelião. Eles enfrentaram a polícia com pedras e garrafas como armas de defesa do movimento, tomaram as ruas e prolongaram o embate físico por quatro dias de intensas batalhas, armando barricadas e resistindo à violência do Estado. Um ano depois, mais de 10 mil homossexuais marcharam pela cidade comemorando o primeiro aniversário da rebelião de Stonewall e reafirmando sua capacidade de organização e de vontade para lutar por seus direitos. A partir de então, o dia 28 de junho passou a ser o dia do Orgulho Gay e o exemplo foi seguido em diversos países. Nesse dia, os homossexuais afirmam sua história de resistência e combate à homofobia.

Para saber mais (áudio em espanhol, sem legendas): Stonewall "La rebelión gay", documentário de 2012 produzido pela Radio y Televisión Española.

16 de junho de 2014

O racismo desumaniza

Mbuyisa Makhubo carrega o corpo do seu amigo de 13 anos de idade, Hector Petersen.

A foto do jovem Peterson, assassinado a balas pelas forças do apartheid e carregado por um de seus companheiros aos prantos deu a volta ao mundo e originou uma mobilização internacional sem precedentes contra o regime racista de Pretória.

Em 16 de junho de 1976, milhares de estudantes sul-africanos "enraivecidos e audazes", como os definiu Nelson Mandela, mudaram a situação tanto em seu país como no exterior, onde as imagens da repressão brutal e cega do regime segregacionista tiveram um enorme impacto.

Os jovens começaram a pensar que os mais velhos não lutavam o suficiente, que deviam fazer algo.

O fator que desencadeou este movimento foi a decisão do governo do apartheid de impor o afrikaans como a língua de ensino, juntamente com o inglês.

Tratava-se de uma medida humilhante e cruel porque o afrikaans não só é "a língua do opressor", mas que vários estudantes negros falavam pouco ou mal este idioma, surgido do holandês.

"Os alunos não conseguiam aprender em afrikaans e os professores não podiam ensinar nesta língua", explicou Naledi Pandor, que vivia no exílio na época da rebelião e foi ministra da Educação após o fim do apartheid.

"Era uma política estúpida", mediante a qual o governo do apartheid esperava "impor sua ideologia", acrescentou.

Na manhã do dia 16, milhares de estudantes invadiram as ruas de Soweto, um município do sudoeste de Johannesburgo.

A manifestação começou em calma, mas se descontrolou quando a polícia abriu fogo.  Os estudantes responderam atirando pedras. Em seguida, houve cenas de pânico.

Aquele dia deu origem a uma onda de indignação no exterior e marcou na África do Sul o ponto de partida de uma rebelião que se espalhou por todo o país e em poucas semanas deixou centenas de mortos: cerca de 700 outros manifestantes perderiam a vida nas manifestações que se seguiram (oficialmente, 95).

"Os acontecimentos deste dia tiveram repercussões em todos os municípios da África do Sul. Os funerais das vítimas das violências do Estado se tornaram locais de motins nacionais. Subitamente, os jovens sul-africanos se deixaram levar por um espírito de protesto e rebelião", escreveu em suas memórias o ex-presidente sul-africano e Prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela.

Embora esta decisão de impor o afrikaans tenha sido um detonador, esta revolta traduziu também um agudo sentimento de frustração e uma profunda cólera. Foi a conseqüência de uma segregação racial sistemática, acentuada por um contexto econômico difícil depois da euforia dos anos 60, cujas conseqüências foram pagas em primeiro lugar pelos negros.

O dia 16 de junho é atualmente feriado na África do Sul e Dia da Criança Africana.